CARTA À COMISSÃO DE SINDICÂNCIA DA UDESC
Conheci Paulino quando ele
estudava em São Paulo; já se vão mais de trinta anos. Simpatizei com ele de imediato.
Estava diante de um intelectual. Sempre muito sério, mas de bom humor. Os anos
se passaram e estivemos juntos muitas vezes em São Paulo, Brasília e Florianópolis,
em diversos encontros e eventos pelo Brasil e exterior. Eu sempre o admirei
pela capacidade de trabalho, dedicação, disciplina e uma postura aberta ao
mundo universitário, que acabou sendo uma referência nacional. Paulino foi um
dos primeiros professores universitários negros em universidades públicas.
Enfrentou muitos obstáculos, driblou os adversários com maestria e elegância. Compareci
a eventos organizados por ele e fiquei impressionado com sua capacidade de
articulação e de realizar aquelas atividades em ambientes complexos.
Há certos professores que não
ficam só nas salas de aula, no ambiente da universidade, conseguem transitar
nesse mundo muito competitivo, duro, mas também apoiam a comunidade. Paulino se
destacou principalmente pelo trabalho duro e abertura de campos novos.
Paulino lentamente começou a
exercer uma liderança nacional, o que o colocou como um dos intelectuais que
foi credenciado a negociar a nível da Presidência da República, o
reconhecimento do trabalho dos cientistas negros, a ampliação de espaço nos órgãos
de pesquisa e no Ministério da Educação.
Sua trajetória de vida foi muito
marcada pelo peso da responsabilidade em ser pioneiro e uma referência para a
comunidade negra brasileira, pelos serviços prestados em defesa dos direitos da
população negra brasileira.
Quando soube da triste situação
em que estava passando na UDESC, em nenhum momento duvidei de seu caráter e de
sua retidão, pois a vida o já tinha testado em muitas batalhas todos os dias.
Ele sabia que, como homem negro, há muitos desafios diariamente, e um deles é
saber manter uma postura de seriedade e vigilância permanentes.
A minha expectativa é que o Prof.
Paulino continue a liderar a luta pelos direitos humanos da população negra
brasileira, pois precisamos desfrutar ainda muito de sua experiência,
conhecimento e companheirismo.
Prof Dr Ivair Augusto Alves dos
Santos

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