segunda-feira, 31 de março de 2014

 

NOSSA AUDIÊNCIA COM DILMA ROUSSEF: ANOTAÇÕES DE VIAGEM, DF, 28/3/14




                                                                                              Paulino de J F Cardoso[1]
                                                                                  Presidente da ABPN





Caríssimos irmãos e irmãs,
Gostaria de, com algum atraso, apresentar minhas impressões acerca da audiência entre o Movimento Negro e a Presidenta Dilma Roussef, acompanhada pela Ministra Luiza Bairros, da SEPPIR e o Ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência.
Participaram da reunião as seguintes lideranças: Helcias Roberto Paulino Pereira (Agentes Pastorais Negros - APNs), Paulino de Jesus Francisco Cardoso (Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) - ABPN), Maria da Conceição Lopes Fontoura (Articulação de Mulheres Negras Brasileiras - AMNB), Valkíria de Sousa Silva – Kika de Bessen (Centro de Africanidade e Resistência Afro-brasileira - Cenarab), Clédisson Geraldo dos Santos Júnior (Coletivo Nacional de Juventude Negra - Enegrecer), Arilson Ventura (Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), Frei David Raimundo dos Santos (Educação de Carentes e Afrodescendentes - Educafro), Maria Júlia Reis Nogueira (Central Única dos Trabalhadores - CUT), João Carlos Borges Martins (Associação Nacional dos Coletivos de Empresários e Empreendedores Afro-brasileiros (Anceabra), Manoel Júlio de Souza Vieira (União de Negros pela Igualdade - Unegro), Ana Flávia Magalhães (Campanha A Cor da Marcha), Maria Conceição Costa (Observatório Negro), Edison Benedito Luiz (Coordenação Nacional de Entidades Negras - Conen), Valdina Pinto (Renafro – Rede de organizações de tradição de matriz africana), Hélio Santos (Fundo Baobá para Equidade Racial), Emanuelle Góes (Odara – Instituto da Mulher Negra), Douglas Elias Belchior (Uneafro Brasil), Ana Maria Gonçalves (escritora).
A audiência foi precedida de uma reunião preparatória nas dependências do auditório do Bloco A, na explanada dos Ministérios, onde os membros da sociedade civil do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e demais convidados procuraram afinar o discurso e definir a dinâmica da reunião, em especial as pessoas que representariam o grupo.
Sem dúvida, chegamos a conclusão de que a urgência deste segundo convite para dialogar (O primeiro ocorreu em julho de 2013, no contexto das grandes mobilizações sociais de junho-julho), tratava-se de uma resposta da Presidenta às constantes manifestações de racismo ocorridas nos gramados pátrios. Todos, de algum modo, sentiram que parte dos veículos de comunicação de massa estavam preocupados em ver o Brasil passar vexame durante a Copa do Mundo de 2014, na frente de 3,5 bilhões de telespectadores. É um receio e tanto.
Entretanto, nós concluímos que este encontro poderia ser lido como uma oportunidade para dialogar com a presidenta, manifestar apoio aos avanços e cobrar as ações paralisadas. Confesso que fiquei muito feliz ao ver entre nós a figura do Professor Hélio Santos, ilustre pensador, de mente brilhante e alma generosa. Do mesmo modo, quase anônima, foi com prazer que identifiquei a figura de Ana Maria Gonçalves, pessoa que nos devolveu o espelho da memória por onde configurou sua identidade.
Sem dúvida estávamos dispostos a ouvir e contribuir com ações práticas de enfrentamento ao racismo nos estádios de futebol, especialmente durante a Copa do Mundo. Neste sentido, víamos como positiva a organização de uma campanha contra o racismo na Copa. Porém, igualmente, entendíamos como fundamental a parceria com o Poder Judiciário para dar agilidade aos crimes de racismo. Aproveitando a oportunidade devemos parabenizar o Presidente do STF e do CNJ, o Ministro Joaquim Barbosa, por iniciar uma pesquisa sobre a desigualdade no acesso à Justiça entre brancos e negros, em especial, o peso de critérios raciais na investigação, denúncia e julgamento dos mais diferentes crimes.
O grupo entendeu quão importante era tratar a audiência como a retomada de um diálogo entre o Movimento Negro e a chefe do poder executivo, iniciada em 2013, buscando fugir de uma pauta imposta pela Mídia. Na verdade, procuramos centrar nossa agenda naquilo cuja a realização depende da vontade política da presidenta.
Acreditamos que os dias de lua de mel, onde todos os setores da sociedade podem ganhar com a atual Administração estão chegando ao fim. Vivemos hoje um acirramento das contradições na sociedade brasileira. Esta sociedade escravocrata, acostumada a ver uma realidade em que cada um sabia seu lugar, está apavorada e enojada com o deslocamento das fronteiras. As manifestações racistas no Futebol não são tão pontuais, pelo contrário.
Compreendemos que o Movimento Negro tem tido dificuldades de responder à altura dos desafios. Precisamos construir mais sínteses e estratégias para este embate. Portanto, a urgência da realização de fóruns na qual o Movimento Negro, de forma autônoma, possa se reunir para mediar conflitos e definição de agendas comuns.
Como afirma um de nossos parceiros, o que menos se faz no governo é o enfrentamento ao racismo. Trabalha-se com noção de promoção da igualdade que pode ser atacada pela via das ações afirmativas, o que não significa trabalhar contra o racismo. Segundo Luiza Bairros, aumentamos a participação de negros na universidade, porém o racismo se mantém intacto nas instituições de ensino superior para reproduzir subalternidades. Pois é isso que ele faz o tempo inteiro. E vai piorar. Quanto mais caminhamos para a equidade, que é pouco, quanto maior a nossa inserção na sociedade, maior será o racismo.
O que captamos da diferença do que a PR quer neste momento? Ela está interessada em falar de racismo.
Para a audiência que teve início por volta das 17:00 horas, foram escalados para realizar as primeiras falas Maria Conceição Lopes, Ana Flávia Magalhães, Douglas Belchior e esse que vos escreve.
Em resumo, podemos dizer que a Presidenta Dilma Roussef apareceu bem-disposta, a vontade no grupo e com muita disposição para o diálogo. Pareceu-me segura, tranquila e com grande percepção das nossas demandas, inclusive realizando algumas devolutivas da reunião de julho de 2013. Como primeiro a falar, iniciei determinado a cumprir nosso acordo da reunião preparatória.
 Após agradecer pelo convite para o diálogo, apontei que talvez tenha sido a primeira vez que o chefe da nação convida a sociedade civil para pensar ações de enfrentamento ao racismo. Racismo que, tende a piorar na medida em que a melhoria das condições de vida da população, fruto de dez anos de Governo Democrático e Popular, ampliou os horizontes e os negros tendem a não se restringir às expectativas racistas impostas às populações de origem africana desde a época da Abolição.
 Recordei que havia estado naquela sala em outra reunião. Também que havíamos realizado uma série de sugestões. Entendemos que neste meio termo travamos um diálogo fraterno com a SEPPIR e o Ministério da Educação, que haviam assegurado avanços importantes. Entretanto, que mesmo esses avanços corriam riscos devido a um inimigo insidioso: o racismo institucional. Essa desigualdade que opera no quotidiano das instituições e se constitui em obstáculo a efetivação de políticas de promoção de igualdade. Racismo que tem dificultado a implantação da Lei Federal 10.639/03, a titulação de terras quilombolas, o acompanhamento da Lei de Cotas nas IFES e a implementação do Programa Abdias Nascimento de Mobilidade Acadêmica, assim como as dificuldades com a agenda no Legislativo, entre eles, Pl 4471.12, que extingue os autos de resistência; a Regulamentação da PEC das Domésticas; o Projeto de Cotas Federais no Serviço Público; PEC 315, que retira do Executivo o poder de titular as terras quilombolas e demarcar terras indígenas.
Os demais colegas tocaram em temas importantes, como as dificuldades no enfrentamento ao genocídio da juventude negra, a democratização dos meios de comunicação e os obstáculos à efetivação e à política de saúde da população negra.
Em resposta, a Presidenta Dilma perguntou acerca da possibilidade do estabelecimento de cotas nos editais do Ministério da Cultura, solicitou a Ministra Luiza Bairros que entrasse em contato com o Ministro da Saúde, Chioro, para repensar o lugar da instância responsável pela implementação da política de saúde da população negra, entre outras ações. Comunicou a todos o desejo de se reunir com o grupo antes da Copa do Mundo para uma avaliação do andamento das ações.
Avaliação: Em meu entendimento, o encontro foi muito positivo, porém com avanços menores em relação ao encontro de 2013. Acreditamos ser fundamental a retomada do diálogo com diferentes ministérios de nosso interesse, de modo a fazer avançar a agenda de enfrentamento ao racismo e a promoção da igualdade racial.
Deste modo, uma certa indisciplina, que levou entre outras a uma perda de  aproveitamento da audiência, indicando que os militantes antirracistas precisam com urgência construir uma plataforma de diálogo que nos permita definir representantes legítimos e uma agenda mínima central para concentrar nossos esforços e poder extrair do diálogo com as diferentes agências federais, o máximo de políticas públicas que ataquem as desigualdades raciais. Em meu entendimento, a questão da ausência de recursos é uma falácia que não devemos aceitar. Temos a tarefa de nos próximos anos construir um sistema de monitoramento da execução da política pública. 
Ilha de Santa Catarina, março de 2014.            


[1]
                        [1] Agradeço a Fernanda Pappa da Secretaria Nacional de Juventude, por compartilhar algumas de suas anotações, a Cristiane Mare da Silva pela revisão e Karla Rascke pela leitura atenta.

segunda-feira, 3 de março de 2014

 

O carnaval na Criméia e a Rússia

domingo, 2 de março de 2014

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/03/o-carnaval-na-crimeia-e-russia.html?spref=tw

Por Pepe Escobar

O tempo não espera ninguém, mas aparentemente vai esperar pela Criméia. O porta voz do parlamento da Criméia, Vladimir Konstantinov, confirmou que haverá um referendo sobre a autonomia da região em relação à Ucrânia em 25 de maio.

Até então, a Criméia será tão quente e fumegante como o carnaval do Rio - porque a questão da Criméia é toda a respeito de Sebastopol, o porto de escala privilegiada da esquadra russa no Mar Negro.

Se a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é o touro, esta é a bandeira vermelha para dar fim à todas as bandeiras vermelhas. Mesmo que você esteja em um profundo nirvana alcoólico dançando e liberando seus problemas no carnaval do Rio - ou Nova Orleans, ou Veneza, ou Trinidad e Tobago - seu cérebro deve ter registrado que o sonho úmido definitivo da OTAN é comandar um governo fantoche na Ucrânia para chutar a marinha russa para fora de sua base em Sebastopol. A utilização do porto pelos russos está negociada até 2042. Ameaças e rumores sobre sua rejeição já haviam surgido.

A maioria absoluta da península da Criméia é habitada por "russian speakers" - cidadãos que tem o russo como primeira língua. Pouquíssimos ucranianos vivem lá. Em 1954, levou apenas 15 minutos para que o ucraniano Nikita Krushchev - aquele dos sapatos barulhentos no piso das Nações Unidas - para doar a Criméia como um presente para a Ucrânia (então parte da URSS). Na Rússia, a Criméia é vista como Russa. Nada muda este fato.

Nós não estamos diante de uma nova Guerra na Criméia - por enquanto. Somente por uma questão. O sonho úmido da OTAN é uma coisa; outra coisa é alcançá-lo - como dar um fim à rotina da esquadra Russa de atravessar o Mar Negro, partindo de Sebastopol, passando por Bosphorus e alcançando Tartus, o porto mediterrâneo Sírio. Então sim, trata-se tanto da Síria como da Criméia.

A nova revolução ucraniana Laranja, Tangerina, Campari, Aperol Spritz ou Tequila Sunrise parece muito longe de ter dado respostas satisfatórias aos devotos da OTAN. Mas é um longo e turbulento caminho para a OTAN reproduzir os anos de 1850 e remixar a Guerra da Criméia original.

Em um futuro previsível, estaremos afundando em um mar branco de banalidades. Como os "alertas" do supremo Chuck Hagen do Pentágono para que a Rússia fique fora da baderna, enquanto os Ministros de Defesa da OTAN requisitam montanhas de declarações (que ninguém lê) "demonstrando apoio" às novas lideranças, e mascates profissionais reassegurem à população de que não se trata de uma nova Guerra Fria (1).

Dancem para a minha estratégia, otários
Onde está H L Mencken quando precisamos dele? Ninguém jamais perdeu dinheiro subestimando as mentiras do sistema Pentágono/OTAN/CIA/Departamento de Estado. Especialmente agora, quando os políticos ucranianos parecem ter sido subcontratados pela administração Obama, por figuras semelhantes à neo-conservadora Victoria "F**se a UE" Nuland, casada com o queridinho de Dubya [*], o neo-conservador Robert Kagan.

Assim como Immanuel Wallerstein (2) já alertou, Nuland, Kagan e a gangue neo-conservadora está tão aterrorizada com a "dominação" russa na Ucrânia, quanto com uma emergência gradual, e eventualmente possível, de uma aliança geopolítica entre a Alemanha (com a França de coadjuvante) e a Rússia. Isso significaria o coração da União Européia forjando um contraponto ao diminuido e vacilante poder Americano.

E como a personificação atual do vacilante poder Americano, a administração Obama está em uma situação peculiar. Eles estão agora perdidos como sua própria e auto-atribuída confusão de pivôs. Qual pivô vem primeiro? Será a China? Mas então precisamos tratar do Irã primeiro - para terminar com a questão do Oriente Médio. Ou talvez não.

Tomem está máxima pronunciada pelo Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, sobre o Irã: "Nós tomamos a iniciativa e avançamos com os esforços para tentar descobrir se antes de partirmos para a guerra realmente pode haver uma solução pacífica".

Então, de repente, não se trata mais de um acordo nuclear que possa ser alcançado em 2014; é sobre "se antes de partirmos para a guerra". É sobre o bombardeio de um possível acordo para que o Império possa bombardear um país - novamente. Ou talvez seja apenas um sonho úmido provido pelos fantoches máximos, os Likudnik.

O grande Michael Hudson tem especulado que o "xadrez multi-dimensional" pode estar "guiando os movimentos dos EUA na Ucrânia". Não mesmo. Parece mais o fato de que se não podem mirar na China - ainda - e se a investida no Irã irá fracassar de qualquer forma (porque querem isto), nós podem mirar em outros. Ah sim, mas há aquele lugar desagradável que os impediu de bombardear a Síria; chamado Rússia. E tudo isso sob a profunda liderança de Victoria "F**se a UE" Nuland. Onde estará o novo Aristophanes para fazer as crônicas destas maravilhas?

E nunca esqueçam a mídia corporativa norte-americana. A corte da CNN esteve "Amanpouring" [**] ultimamente sobre o Acordo de Budapeste - sublinhando que a Rússia deveria ficar fora da Ucrânia. Perceptivelmente, uma horda de produtores "índices-de-audiência-caindo-ao-chão" da CNN nem mesmo leu o Acordo de Budapeste, que, segundo o professor da Universidade de Illinois Francis Boyle destacou, "também aponta que os EUA, a Rússia, a Ucrânia e o Reino Unido devem ser consultados conjuntamente - o que significa que devem se reunir pelo menos os ministros de relações exteriores".

Então, quem paga a conta?
O novo Primeiro Ministro da Ucrânia, Arseniy Yatsenyuk, é - o que mais seria? - um "reformista tecnocrata" - o mesmo que um fantoche do Ocidente (3). A Ucrânia é um buraco sem fundo. A moeda caiu 20% desde o início de 2014. Milhões de desempregados europeus sabem que a União Européia não tem recursos para ajudar o país (talvez os ucranianos possam pedir ao ex-Primeiro Ministo italiano Silvio Berlusconi por alguma ajuda).

Falando na língua do "Oleogasodustão", a Ucrânia é um apêndice da Rússia; é o gás da Rússia que transita através da Ucrânia para o mercado Europeu. E a indústria ucraniana depende do mercado russo.

Vejamos mais de perto como está a carteira da nova onda revolucionária Aperol Spritz. Todo mês, a conta da importação de gás natural da Rússia fica em torno de US$ 1 bilhão. Em janeiro o país precisou gastar US$ 1.1 bilhões em refinanciamento da dívida. As reservas de moeda estrangeira passaram de US$ 20.4 bilhões para US$ 17 bilhões em 2014. Eles ainda tiveram que cancelar US$ 2 bilhões em eurobônus semana passada.

Honestamente, o Presidente da Rússia Vladimir Putin - Vlad do Martelo - deve estar gargalhando como o gato Cheshire [***]. Ele poderia simplesmente apagar o desconto significativo de 33% do gás importado que ele deu a Kiev no ano passado. Rumores sobre rumores já alertaram - de modo nefasto - que os revolucionários da Aperol Spritz não terão como pagar as pensões e os salários dos servidores públicos. Em junho chega uma conta monstruosa a uma série de credores (chegará a US$ 1 bilhão em dívidas). Depois disso, vai ser mais frio do que a Sibéria no inverno.

A oferta de US$ 1 bilhão dos EUA é risível. E tudo isso após a estratégia "F**se a UE" de Victoria Nuland ter sido torpedeada pelo governo de transição da Ucrânia - a propósito, negociada pela UE e que deve ter mantido os russos no jogo, por sabedoria financeira.

Sem a Rússia a Ucrânia dependerá inteiramente do Ocidente para pagar suas contas, sem mencionar o risco de bancarrota. O que equivale a um montante de US$ 30 bilhões até o fim de 2014. Diferentemente do Egito, eles não podem ligar para a casa dos Sauditas e pedir alguma ajuda em petrodólares. Aqueles US$ 15 bilhões de empréstimo prometidos pela Rússia recentemente podem ser uma mão na roda - mas Moscou precisa ter algo em troca.

A percepção de que Putin ordenará um ataque militar à Ucrânia deveria cair na conta dos intelectuais sub-zoologicos da mídia corporativa estadunidense. Vlad do Martelo só precisa assistir ao circo - tal qual o regateio ocidental para saber onde pegar aqueles bilhões que serão atirados em um buraco sem fundo. Ou o FMI fabricando mais um horrendo "ajuste estrutural" para mandar a população ucraniana de volta ao Paleolítico.

A Criméia poderia até mesmo antecipar a encenação do seu carnaval retardado, votando não só por mais autonomia, mas pelo abandono completo do buraco sem fundo. Neste caso, Putin levaria a Criméia de graça - no estilo Krushcev. Não seria um mal negócio. Graças àquela opção estratégica "F**se a UE" pelo pivô russo.


* Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política do blog Tom Dispatch e correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera.

Livros:

- Globalistan: How the Globalized World is Dissolving into Liquid War, Nimble Books, 2007.
- Red Zone Blues: A Snapshot of Baghdad During the Surge, Nimble Books, 2007.
- Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.


* Fonte: http://www.opednews.com/articles/1/Carnival-in-Crimea-by-Pepe-Escobar-America_Crimea_Pentagon_Putin-140301-655.html

Notas do autor:
1- EUA e Grã Bretanha dizem que a Ucrânia não é um campo de batalha entre Oriente e Ocidente, Daily Telegraph, 26 de fevereiro de 2014.
2- Immanuel Wallerstein - La geopolítica del cisma en Ucrania - em: http://www.jornada.unam.mx/2014/02/22/index.php?section=opinion&article=022a1mun
3- Biden: os EUA apoiam o novo governo da Ucrânia, Voice of America, 27 de fevereiro de 2014.

Notas da tradutora:

[*] apelido jocoso de Bush.
[**] referência à Christiane Amanpour - âncora da CNN.
[***] personagem do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol.
* Tradução de Ana Prestes

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Assinar Postagens [Atom]